Homilia da Missa de Abertura da Clausura
Amados irmãos cardeais, cumprimento a todos em nome de nosso irmão n.,
Neste momento solene, quando nos reunimos para dar início ao período de profunda oração e reflexão na clausura, somos chamados a meditar sobre o Evangelho de São Mateus, que nos confronta com uma questão fundamental: “Quem dizeis que eu sou?” Jesus, com esta pergunta, não buscava respostas baseadas em rumores ou opiniões externas, mas sim, uma confissão de fé, um reconhecimento profundo de Sua identidade divina.
Pedro, impulsionado pelo Espírito Santo, proclama: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Esta declaração, embora simples em palavras, é monumental em significado. Não foi pela sabedoria humana que Pedro chegou a esta verdade, mas pela revelação do Pai celestial. E, por esta confissão de fé, Jesus declara Pedro como a rocha sobre a qual Sua Igreja seria edificada, uma Igreja que as forças do mal jamais prevalecerão contra.
Hoje, ao darmos início ao período de clausura em preparação para o Santo Conclave, estamos diante da mesma pergunta essencial: Quem dizemos que Cristo é? Esta pergunta não é apenas um exercício teológico, mas a essência da nossa fé, a pedra angular sobre a qual deve repousar toda a nossa missão.
Irmãos cardeais, vestimos a púrpura e estamos aqui não por nossa própria escolha, mas porque fomos chamados a discernir, em profunda comunhão com o Espírito Santo, o próximo Sucessor de Pedro, aquele que será o guardião das chaves do Reino dos Céus. Precisamos, como Pedro, nos abrir à revelação divina, para que a nossa decisão não seja influenciada pelos critérios humanos, mas guiada pela sabedoria de Deus.
No entanto, o Evangelho nos alerta sobre os perigos que se escondem no caminho. Pedro, pouco depois de receber a mais alta confirmação de sua fé, tenta dissuadir Jesus do caminho da cruz, apenas para ser repreendido severamente. Jesus não hesita em apontar que, naquele momento, Pedro estava pensando como os homens, e não em profunda comunhão com a vontade de Senhor.
Este é um lembrete para todos nós: o fardo da liderança na Igreja não é apenas glorioso, mas também desafiador. Estes desafios que não apenas são enfrentados pelo Pontífice, mas que também pertencem a nós como sucessores dos apóstolos. Somos chamados a pensar e agir como o Bom-Pastor, In Persona Christi, a abraçar o caminho da cruz, a não ceder às tentações do poder ou da glória mundana. Devemos, com humildade e coragem, buscar a vontade de Deus, mesmo quando ela nos leva por caminhos difíceis.
Ao nos voltarmos para o Espírito Santo nesta clausura, que possamos, como Pedro, confessar Cristo como o Filho do Deus vivo e abrir nossos corações para a Sua vontade. Que nossas escolhas reflitam não os desejos humanos, mas o plano divino, e que a pedra sobre a qual nossa Igreja está edificada permaneça firme, guiando-nos sempre para a verdade e a vida eterna.
Que Maria, Mãe da Igreja, interceda por nós, para que, no silêncio e na oração, possamos ouvir a voz de Deus e escolher aquele que conduzirá a Barca de Pedro com fé, esperança e caridade. Amém.
Basílica de São Pedro, Vaticano
08 de agosto de 2024
