Homilia da Missa Pro Ecclesia
Caros irmãos e irmãs em Cristo, saúdo a todos na pessoa do Decano do Colégio dos Cardeais, D. Jorge Snaif.
É com grande alegria que nos reunimos hoje para celebrar a Missa Pro Ecclesia, um momento de profunda reverência e agradecimento pelo caminho que percorremos juntos, culminando na eleição do novo sucessor de Pedro. Esta celebração marca não apenas o fim de um processo, mas o início de uma nova jornada para a Igreja.
As leituras de hoje nos convidam a refletir sobre a nossa missão como Igreja, o Corpo de Cristo que caminha unido, animado pelo Espírito Santo. A primeira leitura, do Livro dos Reis, nos apresenta o profeta Elias, um homem fatigado pela jornada, que chega a desejar a vida eterna. Contudo, é exatamente no seu momento de maior fraqueza que Deus se revela, oferecendo-lhe o alimento necessário para continuar sua missão. Este alimento não é apenas para o corpo, mas também para o espírito, uma renovação da força e do ânimo para seguir adiante.
Quantos de nós, como Elias, já nos sentimos esgotados, desanimados, questionando se ainda temos forças para continuar? A Igreja, em sua longa história, passou por momentos de provação, perseguição e cansaço espiritual. Mas, assim como Elias, sempre encontramos no Senhor o sustento necessário para continuar a caminhada. Hoje, ao encerrarmos este Santo Conclave, somos chamados a renovar nossas forças, a nos levantarmos, porque ainda temos um longo caminho a percorrer. A missão da Igreja não terminou; ela se renova e se intensifica a cada dia.
O Salmo Responsorial ecoa essa verdade: "Provai e vede quão suave é o Senhor!" Irmãos e irmãs, somos chamados a provar da bondade do Senhor, a experimentar em nossas vidas o Seu amor que tudo renova, que nos liberta de nossas angústias e medos. Esse amor é o que nos impele a sermos uma Igreja viva, dinâmica, missionária.
Na segunda leitura, São Paulo exorta os Efésios a viverem como imitadores de Deus, a abandonarem toda a maldade, a serem compassivos e a perdoarem-se mutuamente. Este é um chamado urgente para nós hoje. Somos a Igreja de Cristo, marcada pelo Espírito Santo com um selo indelével. Não podemos permitir que a amargura, a divisão e a falta de compaixão contaminem o nosso testemunho ao mundo. Devemos ser, antes de tudo, uma Igreja que reflete a face misericordiosa de Deus, uma Igreja que acolhe, que perdoa, que ama incondicionalmente.
E o Evangelho nos coloca diante da grandeza do mistério da Eucaristia. Jesus se apresenta como o Pão da Vida, o alimento que desceu do céu para dar vida ao mundo. Este é o centro da nossa fé, o coração pulsante da Igreja. Cristo se doa inteiramente a nós na Eucaristia, e, como Seus discípulos, somos chamados a nos doar inteiramente aos outros. A Eucaristia nos une a Cristo e nos une uns aos outros, formando um só corpo, uma só Igreja.
Hoje, ao refletirmos sobre o que significa ser Igreja, não podemos ignorar o chamado missionário que está implícito em nossa identidade. Ser Igreja é ser missionário. Não podemos nos acomodar, confinados em nossas igrejas ou em nossas comunidades, vivendo uma fé privada e isolada. Fomos enviados ao mundo, assim como Elias foi enviado ao Horeb, para levar a mensagem do Evangelho a todos os povos, a todas as nações. Somos chamados a ser testemunhas de Cristo no mundo, a levar a luz do Evangelho onde há trevas, a ser instrumentos de paz, de justiça e de amor.
Este é um tempo de revigoração, um tempo de renovar o nosso ânimo missionário. A Igreja precisa de homens e mulheres corajosos, que não temam os desafios, que estejam dispostos a sair ao encontro dos mais necessitados, dos marginalizados, dos que ainda não conhecem o amor de Deus. Precisamos de uma Igreja em saída, uma Igreja que não se contenta em esperar, mas que vai ao encontro, que é uma luz para as nações.
E, ao assumir este pontificado, peço a cada um de vocês que se unam a mim nesta missão. Não sou o pastor de uma Igreja que é minha; somos todos responsáveis pela Igreja de Cristo. Somos todos chamados a ser sal da terra e luz do mundo. Unidos, podemos renovar a face da terra. Unidos, podemos levar a mensagem do Evangelho a todos os cantos do mundo. Unidos, podemos construir uma Igreja que verdadeiramente reflete o amor de Cristo.
Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja, interceda por nós, e que o Espírito Santo nos conduza, nos ilumine e nos fortaleça para que possamos cumprir com fidelidade e coragem a missão que nos foi confiada.
Louvados sejam Jesus e Maria.